Dermatite atópica

A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele que apresenta uma evolução cíclica, com períodos de melhora e piora. A causa não é conhecida, mas observa-se um caráter familiar e frequentemente está associada à asma ou bronquite e rinite alérgica. Tem início geralmente nos primeiros meses de vida, ocorrendo antes dos 7 anos na maioria dos casos. A coceira é sempre intensa, e geralmente a pele é seca.

O eczema atópico, termo utilizado como sinônimo da dermatite atópica, é sua manifestação mais comum e caracteriza-se por lesões inflamadas da pele, avermelhadas, que coçam, descamam e, às vezes, ficam úmidas. No bebê, as lesões predominam na face e nas superfícies externas dos braços e pernas. Em crianças maiores e adultos, as lesões acometem principalmente as dobras do corpo, como as dos joelhos, cotovelos e pescoço. Nos casos mais graves, pode acometer grande parte da superfície corporal.

Portadores de dermatite atópica apresentam uma incidência maior de infecções bacterianas, fúngicas ou virais da pele. Apesar da melhora gradativa da doença com a progressão da idade, o paciente com dermatite atópica tende a manter, durante toda a sua vida, uma pele ressecada que se irrita facilmente.

São fatores desencadeantes:

  • Pele seca: a pele dos pacientes possui alterações em seus componentes estruturais, que contribuem para uma maior perda de água e menor capacidade de reter água no seu interior. Isso contribui para o ressecamento da pele, para maior suscetibilidade a infecções, irritantes e alérgenos, estímulo à resposta imunológica e piora da coceira;
  • Poeira: há evidência de melhora das lesões com o afastamento da poeira, ácaros e de fungos;
  • Detergentes e produtos de limpeza em geral;
  • Roupas de lã e de tecido sintético;
  • Baixa umidade do ar;
  • Frio intenso;
  • Calor e transpiração;
  • Infecções;
  • Estresse emocional: a pele mostra correlação com ansiedade, tensão, estresse, depressão, frustração, com agravamento das lesões;
  • Certos alimentos: o paciente com atopia apresenta uma incidência maior de alergia alimentar quando comparado com o paciente sem atopia. Cerca de 30% dos pacientes com dermatite atópica podem apresentar alergia a algum alimento, sendo mais frequente nas crianças abaixo de 2 anos de idade e nos casos mais extensos e graves. Nos casos mais leves, assim como em crianças maiores e adultos, a presença da alergia alimentar é muito rara. Os alimentos mais relacionados à dermatite atópica são ovos, leite, amendoim, soja, trigo, peixe, nozes.

Saiba como controlar e evitar os fatores desencadeantes da dermatite atópica aqui.

Em crises, mantenha os cuidados da pele e inicie o tratamento prescrito por seu médico. Os mais utilizados são:

  • Corticosteroides tópicos, medicamentos utilizados para lesões ativas (vermelhas, descamativas e com coceira). Seu uso não exclui a aplicação de hidratante;
  • Corticosteroides orais, utilizados em casos mais graves e de difícil controle, por curtos períodos;
  • Antibióticos orais ou tópicos, que tratam a infecção bacteriana que pode acompanhar as crises agudas;
  • Anti-histamínicos orais, para reduzir a coceira;
  • Inibidores tópicos da calcineurina, alternativas de tratamento das lesões da pele. São representados pelo pimecrolimus e tacrolimus.

Outros tratamentos podem ser utilizados em casos graves e extensos como fototerapia, talidomida, ciclosporina e metotrexate orais, entre outros.

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